quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Erick Fishuk – O que há por trás do engrandecimento do ser humano?

Escrevi e, se não me engano, publiquei este texto a 4 de setembro de 2009 no meu antigo blogue “Pensadores Libertos”, que mantive entre 2009 e 2010 com um conhecido meu do curso de História da UNICAMP. Republico-o, bastante adaptado, a pedido do Giuliano, que havia se lembrado vagamente dele, mas não sabia que era exatamente este texto. Ele pertence a uma fase em que eu ainda não tinha conseguido canalizar bem a revolta contra o cristianismo que estava se transformando em ateísmo, e por isso se atém, em minha opinião, a vários pontos que, numa crítica da religião, hoje julgaria superficiais. Mas o destino e os leitores impiedosos saberão qual pode ser seu devido valor, atualidade e lugar que deve ocupar nos escaninhos intelectuais.

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“Os críticos insistem em descrever como ‘profundamente religioso’ qualquer um que admita uma sensação de insignificância ou impotência do homem diante do universo, embora o que constitua a essência da atitude religiosa não seja essa sensação, mas o passo seguinte, a reação que busca um remédio para ela. O homem que não vai além, mas humildemente concorda com o pequeno papel que os seres humanos desempenham no grande mundo, esse homem é, pelo contrário, irreligioso no sentido mais verdadeiro da palavra.” (Sigmund Freud, “O futuro de uma ilusão” [originalmente publicado em 1927] em Freud, São Paulo, Abril Cultural, 1978, coleção “Os pensadores”, p. 109.)

Hoje essa frase do pioneiro da psicanálise, máxima de que gosto muito, me fez pensar em algumas questões relativas ao papel do ser humano no Universo ou, sendo mais modesto, no planeta Terra. Na verdade, queria expressar minha opinião, baseado no excerto, sobre algumas correntes que aparentemente veem e interpretam nossa existência de modo distorcido e, muitas vezes, fraudulento.

A princípio, a conclusão de Freud bate de frente com a interpretação que Albert Einstein fazia sobre si mesmo no quesito “espiritualidade” e que pode ser lida no início de seu livro Como vejo o mundo. O cientista se pensava um ser humano “profundamente religioso” ao assumir uma extrema pequenez diante do cosmos e admitir que não poderíamos desvendar o caráter do fascínio que sentimos ao admirar uma flor, a Lua, as estrelas, os animais e outras maravilhas da natureza. Em resumo, para ele, esse encantamento seria a “religiosidade”.

Não é esta a ocasião para avaliar a validade do que o cientista chama, na mesma obra, de “religião cósmica”, mas aproveito o gancho para me posicionar firmemente na questão: não acredito que a religião torne o ser humano ínfimo perante a natureza, e até respaldo convictamente a ideia freudiana de que a atitude irreligiosa, ligada à ciência como deve ser, coloca as coisas no seu devido lugar. Ou seja, o ser humano se torna um grão de areia da Terra, que é outro grão de areia do Sistema Solar, por sua vez um ínfimo ponto dentro da gigantesca Via Láctea, a qual consiste em apenas mais uma entre incontáveis galáxias pairando pelo Universo.

Deve-se ter em conta como verdade irrefutável que o ser humano é, biologicamente, um animal como todos os outros. Somos feitos de matéria orgânica, nascemos, comemos, excretamos, nos reproduzimos e morremos. Até mesmo recebemos, como qualquer outro ser, o sonoro epíteto de Homo sapiens sapiens, indicando, inclusive, que não fomos o começo, mas apenas a culminância de uma longa caminhada evolutiva em que tivemos até mesmo primos como o Homo sapiens neanderthalensis, por exemplo. Mas se não nos diferenciamos materialmente dos outros seres, o que nos faz tão especiais?

Penso que basicamente três coisas nos separaram de primatas e outros mamíferos: o polegar perpendicular aos outros dedos, a proporção maior entre as massas do cérebro e do corpo inteiro e o fato de andarmos sobre as duas “patas traseiras”. É preciso lembrar que somente a interação desses três fatores nos teria possibilitado chegar aonde chegamos. Pois vários macacos também possuem o polegar invertido, mas têm um cérebro menor do que o nosso e andam sobre as quatro patas, na maior parte do tempo. O movimento de pinça que esse dedo nos proporciona foi o que desencadeou inúmeras revoluções tecnológicas desde que descobrimos o fogo, inventamos a roda e construímos instrumentos de caça, até a elaboração de complexos computadores e veículos que podem levar pessoas a quilômetros de distância do solo terrestre.

Quanto ao cérebro, pode-se recordar que há muitos animais imensamente maiores que nós, e que portanto possuem mais massa encefálica. Contudo, segundo texto online da revista Superinteressante, embora animais como golfinhos tenham uma vida social mais complexa do que a de vários outros seres, a porcentagem do cérebro humano na massa corporal é de 2,1%, enquanto a de muitos gigantes da terra e do mar não passa de 1%. Não tenho certeza, e gostaria que me corrigissem se erro, mas esses dados devem ter importância em meu argumento. O que fecha minha hipótese, enfim, é a liberação das “patas dianteiras” (chamadas depois de “mãos”) para a manipulação da natureza e a construção de artefatos complexos que facilitaram nossa sobrevivência em meios hostis e nos possibilitaram até transformá-los significativamente.

Paro por aqui a incursão na Biologia por ser leigo na matéria, e começo a fazer uma ponte entre o que disse acima e até onde quero chegar. Conforme o que foi dito até agora, conclui-se que são poucas as coisas que nos diferenciam geneticamente de outros membros do mundo animal, embora façam muita diferença na hora de lidar com o ambiente externo. Mesmo assim, são provas de nossa pequenez a sujeição a inúmeros males patológicos, a extrema sensibilidade às variações do clima ou a fenômenos terrestres endógenos, a grande resposta da natureza que recebemos ao alterar muito drasticamente suas características e a necessidade maior ou menor que temos de suprir nossas necessidades fisiológicas com produtos naturais (seres vivos em geral) de características pouco alteradas.

Quais são os grupos que nos desnaturalizam e procuram nos tornar seres aparentemente extraterrestres? O primeiro dele é o dos veganos, cujo principal atributo é o de não comer nenhum alimento de origem animal, nem mesmo aqueles que não derivam da morte dos bichinhos, como o ovo, o leite e derivados. O argumento central é o de que os animais também possuem direito à vida, consciência e sentimentos, como todos nós, e por isso não devem viver ou ser criados exclusivamente com fins predatórios ou comerciais. Outro motivo levantado é o da depredação ambiental gerada, por exemplo, pela criação do gado bovino (desmatamento, queimadas, excesso de flatulência emitida na atmosfera e outros males, tudo isso relacionado principalmente ao aquecimento global), o que dá ainda ao veganismo um forte traço militante político e ambiental.

Ressalto que não trato das pessoas que não comem certos tipos de alimentos por causa de restrições orgânicas, como a rejeição à proteína do leite. Obviamente elas precisam encontrar outras fontes que supram tudo aquilo que o consumo dos alimentos intoleráveis lhes proporcionaria. O assunto aqui são aqueles que deixam de consumir alimentos animais seguindo a cartilha que resumi acima. Posso estar errado, mas é totalmente antinatural que deixemos de comer essas coisas com base em considerações éticas que só têm sentido em se tratando da convivência humana; e aí, obviamente, está uma das diferenças entre os animais e nós.

Queiramos ou não, a “imperfeita” e “maldosa” evolução, não se sabe por que motivo, determinou que, para sobrevivermos, nos consumíssemos uns aos outros. E eis uma das coisas que o criacionismo não explica: animais grandes devorando “mães” e “filhos” de outras espécies, destruindo vidas e a convivência social harmoniosa de outras espécies. Com o ser humano não poderia ser diferente: desde a Pré-História, consumimos, por meio da caça, a carne de seres terrestres, anfíbios, aéreos ou aquáticos, e a evolução desfavoreceu justamente aqueles que possuíam intolerância a tal alimento.

Ah, sim, mas o problema é a criação em massa, e não a caça – o que, para efeitos de não se comer nada de origem animal, não faz muita diferença–? Porém, o que ocorreria se a enorme população humana, rapidamente aumentada com o surgimento das cidades, vivesse exclusivamente da caça? E como se supriria a radical separação que se deu entre a selva e o ambiente civilizado? A agricultura e a pecuária responderam a essas carências cada vez mais gritantes do mundo humano tornado complexo, denso e coletivista.

A soja, por ser muito rica em proteínas e aminoácidos, costuma suprir todas essas necessidades no lugar da carne, do leite e do ovo. Para começar, não sei por que os vegetais não entram no rol de “seres que têm consciência e, portanto, necessidade de respeito e direitos”: parece-me que uma flor arrancada ou uma árvore desmatada sofrem, na proporção do ser, quase tanto quanto um ser humano amputado acidental ou propositadamente sem os cuidados necessários. Quem cuida de plantas sabe que distribuir sopapos em árvores ou arbustos não é uma atitude inteligente não só por causa da própria estupidez do ato em si, mas devido ao mal-estar produzido neles.

Mas o problema não para por aí. Segundo verbete da Wikipédia, a soja, justamente em face de seu altíssimo valor nutricional, deve ser consumida com moderação, a não ser que se concorde em ingerir diariamente um alto volume de calorias. Não é à toa que regimes vegetarianos ou veganos não são regimes de emagrecimento, e que sua adoção não leva à obtenção do corpinho dos sonhos de qualquer modelo, fisiculturista ou metrossexual. E os danos de seu plantio para o meio-ambiente? Soja exige espaço, que é o que mais sobra no Brasil. Quis o destino que ele fosse, todavia, geralmente ocupado por florestas com ou sem tribos indígenas, o que leva grandes agricultores como Blairo Maggi e outros a ganhar a “Motosserra de Ouro”, muitas vezes, para espanto de todos, às expensas desses supostos defensores do meio-ambiente.

O segundo grupo é o dos religiosos, em especial os cristãos dos mais variados matizes. Espanta-me, aliás, a expansão da ideia de um “cristianismo” supostamente puro, comum e único, quando ainda hoje se perde tempo com disputas do tipo “Sabedoria, Eclesiástico e outros cinco livros da Bíblia católica são ou não inspirados por Deus?”, “Para onde vão as almas dos bebês não batizados após a morte?” ou “Devo consertar ou não meu chuveiro quebrado no sábado?”. O primeiro capítulo do livro do Gênesis, versículo 27 (tradução de João Ferreira de Almeida, Sociedade Bíblica do Brasil), é mais do que claro: “E criou Deus o homem à sua imagem [...]”. O versículo seguinte vai mais além: “[...] e dominai sobre os peixes do mar, e sobre as aves dos céus, e sobre todo o animal que se move sobre a terra”. Há demonstração mais clara da colocação do ser humano no centro do mundo ou do Universo?

No que um criacionista deve acreditar? Pela extrema vagueza com que a Bíblia trata do assunto, e pelas próprias afirmações que seus crentes dão a respeito da criação, pode-se dizer que Deus teria feito o mundo do jeito que ele é hoje, com todos os animais, plantas e – por que não? – bactérias, protozoários e fungos. Isso teria acontecido, é claro, há alguns milhares de anos, apenas! Não teria havido qualquer modificação nas formas de vida que habitam sobre a superfície terrestre desde esse momento. Na melhor das hipóteses, a evolução seria uma balela ateísta. Acho que a nota de rodapé da Bíblia das Edições Paulinas (edição pastoral de 1990, p. 14) diz tudo por si só: “A narrativa da criação não é um tratado científico, mas um poema que contempla o universo como criatura de Deus. Foi escrito pelos sacerdotes no tempo do exílio na Babilônia (586-538 a.C.) [...]” (grifo meu). E olha que quem diz isso são exegetas católicos, hein?

Não vejo problemas na narrativa em si, tomada como um texto literário historicamente localizado: na época, independentemente se os autores consideravam ou não sua produção como um relato científico (ou pelo menos plausível, se levarmos em conta que não havia ciência como a entendemos hoje), pouco se conhecia sobre o passado biológico e geológico de nosso planeta. Não havia meios de se deduzir a existência de espécies extintas, como os dinossauros e as preguiças-gigantes, e por isso a imaginação, impulsionada pela indistinção entre leitura empírica do mundo e ritualismo mítico-religioso, encontrava passe livre nas lacunas ainda não preenchidas pela compreensão humana. Com efeito, o mais grave é ver pessoas rejeitando a ciência em bloco (a mesma ciência que lhes proporciona a cura de suas doenças mais graves, isso quando até para tal finalidade ela é marginalizada), em prol do que já foi refutado como lenda e de pseudoprovas que supostamente atestariam a veracidade dessas fábulas. A dessacralização da espécie humana, confirmada pelas pesquisas de Charles Darwin, parece não ter tocado ainda seu discernimento.

A listagem das improbabilidades pode ser estendida até a lenda bíblica do dilúvio. Resumirei ao básico, já que quase todos a conhecem. Deus ordenou a Noé que construísse uma grande arca para abrigar sua família (incluindo esposas dos filhos) e casais de todas as espécies animais vivas, em vista do dilúvio destruidor que Deus enviaria à Terra por causa das maldades humanas. O resto da história já é muito conhecido, por isso dispenso mais comentários. Mas já se pode notar a ausência das plantas (sempre elas...) na história: não seriam também seres dignos de compaixão? E como teriam elas sobrevivido a evento tão devastador? Como se sabe, um simples deslizamento de terra causado por um temporal comum é capaz de arrastar árvores inteiras. O que não teria feito o dilúvio, se ele fosse real?

O atentado à inteligência do leitor (e notavelmente, na maioria das vezes, não se chega a essas descrições lendo, mas ouvindo) se torna mais claro quando se sabe que existem dezenas de milhões de espécies na Terra, desde as invisíveis (sim, a diversidade desses seres também chega à casa dos milhões!), passando pelas insignificantes (formigas, pernilongos e minhocas), incluindo anfíbios e peixes (que precisariam também de água para viver, mesmo dentro da arca: Noé precursor do aquário?), até as enormes (girafas, elefantes e baleias; notavelmente não aparecem aí os pobres dinos). Isso tudo, lembrando, se tomarmos o criacionismo como verdadeiro. Mesmo assim, Deus deu apenas sete dias (repito, sete dias!!!) para o recolhimento de todos esses casais (por vezes, “sete pares”! – tradução da Paulinas), de acordo com Gênesis 7, 4. Dizer que aí houve milagre já é demais, não? Ou será que exige menos esforço dizer que “para Deus, nada é impossível” do que tentar entender cientificamente a origem da vida?

O argumento de que várias culturas têm a mesma lenda diluviana e que, por isso, a catástrofe teria realmente ocorrido, não parece melhor. Primeiramente, na Antiguidade era muito fácil divinizar qualquer grande enchente, ainda mais se levando em conta o tamanho do mundo conhecido e das cidades até então. As grandes civilizações, como se sabe, surgiram à margem de rios caudalosos, e isso pode ter feito com que histórias do tipo tenham se tornado comuns. Em segundo lugar, teríamos de escolher uma dentre várias histórias para considerá-la como “hipótese científica”. Uma delas, como se sabe, seria a de Noé. Ou a verdadeira seria o mito grego de Deucalião e Pirra, em que esse casal, após ficar nove dias (e não quarenta, como na história bíblica) numa barcaça, atirou para trás pedras que se transformavam em novas mulheres e homens? A diversidade de relatos só torna o fato ainda mais implausível.

Acho que não tenho mais nada a dizer, a não ser algumas considerações finais:

– A divinização do ser humano, e mesmo a centralidade que ele tomou com as doutrinas antropocentristas do Renascimento, mas já implícita no relato bíblico da criação, legitimou uma dominação impetuosa sobre a natureza, que legou catástrofes ambientais irreversíveis.

– Tentativas de fugir totalmente de nossa natureza biológica e de aplicar a outros seres conceitos que só cabem se relacionados à sociedade humana terminam em empreendimentos contraditórios e nocivos à saúde das pessoas, além de possuírem um fundo político duvidoso e frágil.

– O desprezo da ciência em prol de mistificações que só visam à perpetuação da influência material e intelectual de certos grupos ideológicos de probidade contestável atenta contra a inteligência das pessoas que têm o mínimo de educação e leitura e atrasa o desenvolvimento da compreensão sobre o mundo natural, com graves consequências sanitárias, culturais e tecnológicas.

– Finalmente, reconhecer que somos pequenos em nossa grandeza nos dá mais humildade para encarar nosso grande Universo e nos torna mais curiosos em desvendar os mecanismos ocultos por trás desse glorioso acontecimento chamado vida.

3 comentários:

  1. O livro Caim, o último escrito e publicado por José Saramago no final de 2009, possui uma alegoria muito interessante do mito bíblico do dilúvio, lançando luz sobre o ridículo da sustentação de sua veracidade com perguntas, dentre tantas outras, como: teria sido possível aguentar dentro da arca o cheiro da urina e das fezes de tantos animais defecando ao mesmo tempo?

    No início de 2010, no mesmo blogue "Pensadores Libertos", escrevi algumas impressões sobre a obra, as quais pretendo publicar em momento oportuno.

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  2. Estou longe de ser um conhecedor da bíblia, ateu que sou (ateu de pai, mãe e avô, então escapei do doutrinamento cristão quando criança), mas li recentemente que a bíblia diz que Noé devia pegar sete casais de animais puros (os comíveis) e sete de impuros (os que não são para comer), e não um casal de todos que havia. Essa informação melhora um pouco a exequidade da tarefa do coitado do Noé, mas piora imensamente a possibilidade da existência da variedade de animais que vemos, especialmente se, como querem os criacionistas, não existir evolução...

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  3. Caro visitante, obrigado pelo comentário! Ele me fez retornar às duas versões da Bíblia que eu tenho, a católica da Paulinas e a evangélica do Almeida, mais precisamente na cena do dilúvio.

    De fato, a ordem divina para Noé parece ser narrada duas vezes seguidas, no fim do capítulo 6 e no começo do 7 do Gênesis. Mas, pelo que entendi, em todos os casos deveriam ser pegos (ou ao menos estava subentendido) casais de TODOS os animais.

    Há uma sutil diferença entre as duas partes. No capítulo 6, deveria ser um casal de todos os animais. Já no começo do 7, deveriam ser sete casais de todos, menos dos animais impuros, cada um devendo ser representado por um casal. As duas Bíblias trazem a mesma informação (se quiser as transcrevo). Ou você interpretou mal, ou a tradução da sua Bíblia é diferente...

    Mas lenda por lenda, acabo de topar com algo que não só enriquece nosso debate, mas confirma justamente minha hipótese sobre a origem da história (e olha que em 2009 eu nem tinha lido isso!): a nota de rodapé da Bíblia da Paulinas explicando os dois conjuntos de versículos citados. Vou reproduzi-la na íntegra:

    "Inspirada nas inundações periódicas dos grandes rios, a narrativa do dilúvio é típica das antigas culturas médio-orientais. Os autores bíblicos a utilizaram por causa do seu significado simbólico: o dilúvio é uma volta ao caos primitivo [...]. Contudo, qual é o dilúvio que acontece na história? São os acontecimentos catastróficos gerados pela autossuficiência, que chega a formas tão extremadas que produz o caos na natureza e no mundo humano. O texto é também uma apologia do justo: este sabe discernir a catástrofe e tomar uma atitude para sobreviver e preservar a vida. É através do justo que a história continua."

    Ou seja, é uma metáfora, numa Bíblia que mais parece um livro de autoajuda. Pra época dos escritores talvez fosse uma bela maneira de preceder Augusto Cury, mas hoje sinceramente nossos psicólogos fazem um trabalho bem melhor ;)

    Grande abraço!

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